Entrevista: Robin Banerjee, ex-guitarrista de Amy Winehouse

Uma das entrevistas que mais me orgulho de ter feito, com certeza foi com o guitarrista Robin Banerjee, que tocou durante alguns anos ao lado de Amy Winehouse. Quem tiver o DVD live in London ou qualquer outro no período de 2006 a 2007 certamente vai ver ele tocar. Na conversa, ele me contou um pouco sobre a sua trajetória profissional, seus ícones da música e, claro, respondeu diversas dúvidas minhas em relação a Amy. Olhem só:

Você sempre teve interesse pela música? Fale um pouco sobre o começo da sua carreira

Quando eu era jovem, curtia o som das guitarras acústicas e elétricas. Sempre tentei tocar as linhas de guitarra e baixo das músicas antes mesmo de começar a aprender algum instrumento. Fiz minhas primeiras apresentações com bandas de jazz/funk em Londres (Soho) em meados dos anos 90, enquanto fazia uma semana de residência no Ronnie Scotts Jazz Club.

Quais são suas principais influências?

Eu cresci ouvindo guitarristas como George Benson, Nile Rodgers, Scott Henderson e Alan Murphy, guitarrista do Level 42. Depois de um tempo, comecei a gostar de bandas e artistas como Cameo, Level 42, Soul2Soul, Whitney Houston, Luther Vandross e Bob Marley. No quesito jazz eu curtia bastante Charlie Parker, Herbie Hancock e Joe Pass. Hoje em dia escuto muito Amy Winehouse, Adele, Katy B, Daniel Merriweather e Jessie J. Meus guitarristas favoritos são: Bireli Lagrene, Russell Malone, Ernest Ranglin e Jim Mullen.

Como foi a proposta de tocar com Amy Winehouse?

Eu toco em uma banda chamada Jazz Jamaica, uma banda bem conhecida de jazz no Reino Unido. Amy nos viu tocar quando nos apresentamos no Jazz Café, em Camden, e me disse que um dia iríamos trabalhar juntos. No ano seguinte, em 2006, seu diretor musical, Dale, me pediu para se juntar a banda – a pedidos de Amy.

Você tocou com eles por quanto tempo?

Toquei de agosto de 2006 até agosto de 2007.

Fale um pouco sobre a experiência de tocar com um ícone como Amy

Eu realmente gostava de tocar com a Amy, a música parecia fluir de uma forma incrível, sem esforço. Ela tinha uma ótima personalidade e um grande senso de musicalidade.

Você tinha um contato muito próximo a ela. Conte a nós coisas que ninguém saiba. Curiosidades que todos os fãs tem ao redor do mundo

Ela gostava de fazer sanduíches para a banda e às vezes me oferecia minha bebida favorita – coca diet (risos). Sua comida favorita era “Tuna Salad Nicoise“, ela sempre encomendava isso em praticamente todas as cidades em que tocávamos. De vez em quando, eu emprestava £20 quando ela não tinha dinheiro, e no dia seguinte ela sempre se lembrava de me pagar.

Qual é a sua maior lembrança dela?

Eu vou valorizar a sua voz maravilhosa e a sua bondade como pessoa. Ela realmente me tocou com sua música.

Muitas pessoas colocam a culpa de seus vícios no seu ex-marido Blake Fielder Civil. Você chegou a conhecer Blake? Como era o relacionamento deles do seu ponto de vista?

Eu gosto muito do Blake, ele sempre foi um cara muito legal comigo. Uma vez Amy e Blake me convidaram para almoçar com eles em Hollywood Hills e depois visitar o letreiro de Hollywood – estávamos em LA, durante uma turnê. Blake amava muito ela e eles eram totalmente inseparáveis de muitas maneiras. O problema é que ambos eram pessoas muito debilitadas por dentro, e precisavam um do outro igualmente. Houve um vínculo muito forte, isso eu acredito.

Você teve contato com ela por quanto tempo? Deve ter sido muito difícil saber sobre sua morte prematura

Eu conheci Amy desde o nosso primeiro encontro no outono de 2004 (em um clube de música no Soho) até a minha última visita a sua casa, em Barnet, em setembro de 2009 – mais de 5 anos atrás. Ela era uma amiga e uma colega musical. Foi uma grande perda, não só para mim mas para todos os fãs e familiares.

Quais são seus próximos planos?

Estou trabalhando com uma nova cantora que é incrível e que acredito que vá se tornar uma grande estrela: Maddy Carty. Ela é inglesa, canta e toca piano muito bem. Temos ensaiado bastante para apresentar alguns shows. Eu toco bastante Jazz Guitar com muitos grandes artistas em Londres, que é uma das minhas grandes paixões – improvisação de jazz.

Aqui, um dos momentos em que Robin toca com Amy