Bloggers de Moda: vida real ou fantasia?

Há alguns meses saiu uma pesquisa, divulgada pela empresa de pesquisa e mercado ComScore, que mostra o Brasil como um dos países mais entusiásticos por internet e redes sociais do mundo. O ranking mostrava os blogs brasileiros em segundo lugar na lista mundial, perdendo apenas para o Japão. Além disso, o levantamento apontava que os internautas brasileiros lideram o engajamento na web, com sete horas a mais (!) de navegação do que a média mundial. Também pudera, já que hoje existem cerca de 2,5 milhões de blogs no país – e, por dia, são postados mais de 300 mil conteúdos novos.

Mas até aí tudo bem. Todos nós sabemos que desde que a informação foi democratizada pela internet, o número de pessoas querendo dar a sua opinião sobre tudo e qualquer coisa só foi aumentando. Eu, por exemplo, sempre fui a favor dessa nova forma de comunicação e sempre acreditei que havia espaço para todos.

E sim, continuo acreditando que eles vieram para dar um banho de água fria na forma como se fazia jornalismo no Brasil. Esse boom realmente fez com que as revistas se reinventassem e abrissem espaço para novas ideias. Por isso, sempre fui fascinada por esse universo, onde pude conhecer outras pessoas online – ler suas histórias, seus dramas, opiniões, e por aí vai. Uma forma de compartilhar a vida com pessoas que, até então, você não fazia ideia que existiam.

E então surgiram as bloggers de moda. Que de início vieram com a premissa de nos inspirar com seus looks, dicas e informações “reais”. Mas hoje elas deixaram de ser um reflexo da vida real para se tornarem um negócio, uma ilusão. Fico impressionada que revistas femininas disponibilizam três ou quatro páginas editoriais para mostrar onde e como comprar seguidores para o seu Instagram, Facebook, etc. Dicas para ser alguém que você não é. E me choca ver que as pessoas realmente estão buscando isso – já perdi a conta de quantas pessoas vejo com apps de followers & likes, quantas pessoas passam horas curtindo fotos aleatórias em troca de outras curtidas aleatórias. Gente que não acrescenta em nada, curtidas que não acrescentam em nada. E por que isso?

Em tempos de hipernarcisismo, as pessoas parecem querer construir uma imagem de vida completamente fora dos padrões da realidade. É difícil conseguir criar uma identificação com pessoas que deixaram de ser “gente como a gente” para serem um ideal inatingível de vida. Pessoas que montam a mesa de café da manhã em que comem, que usam roupas escolhidas por outros, que postam dezenas de selfies por dias sempre com uma efusividade que, sinceramente, me irrita.

E o que me preocupa, mesmo, é pensar como uma nova geração de meninas (altamente influenciáveis) não devem se sentir frustradas por quererem essa realidade de fantasia. Onde as mulheres reais se tornaram uma mentira, e onde um Instagram lhe dita o que fazer, como ser, o que vestir, onde ir e como se comportar. Mais ou menos como o caso da menina de nove anos, que causou polêmica ao criar um Instagram fitness (matérias aqui e aqui).

Como diz meu amigo Paulo José Miranda, “o mundo só pode estar enlouquecendo de vez“.