Poema Chinês: “Ventos de Outono”, de Li Bai

Recebi, por e-mail, um poema do meu amigo Paulo José Miranda. É uma tradução (belíssima) feita por ele, do poeta chinês Li Bai (701-762).

Ventos de Outono

 

É no Outono que o vento corta
E o luar mais nos ilumina.

 

As folhas caem sem parar e desaparecem.
As gralhas pousam nos galhos, sentem o medo no ar.

 

Se cada um de nós pensa no outro, porque não estamos juntos?

 

Aqui e agora, nesta noite, o amor que sinto envergonha-me.

 

Ao atravessarmos o portão do desencontro,
cada um de nós ficou frente a frente com a sua miséria.

 

Sofremos muito o tempo todo e lembramos bem disso.
E mesmo que fosse pouco tempo, a dor não seria menos infinita.

 

Soubesse eu o quanto um coração pode errar,
e logo de início nunca teria te conhecido.