Entrevista: Mônica Salgado, editora-chefe da Glamour Brasil

Com o slogan “for the girl with a job”, a revista Glamour teve sua primeira edição em 1939 nos Estados Unidos, bem no princípio da Segunda Guerra Mundial – período de muitas transformações na sociedade e, principalmente, no universo feminino. Hoje ela já está presente em 16 países ao redor do globo e, há pouco mais de três anos, desembarcou por aqui, em terras tupiniquins, ao comando da talentosíssima Mônica Salgado – que desempenha seu papel com muita maestria e louvor. E digo mais: se tem uma pessoa que se destaca no jornalismo de moda atual, essa pessoa é ela.

Mônica inspira e, acima de tudo, nos faz acreditar que todo sonho é possível. Mostra ao mundo um jornalismo mais despretensioso, onde dinâmica, repertório e doses extras de tempero linguístico fazem toda a diferença. Transforma a leitura em algo leve, mas sem perder mão do que é necessário. E como a própria diz, “o importante é se desafiar, pensar fora da caixa e nunca, em hipótese alguma, se acomodar”.

A trajetória dela, desde a época em que cursava jornalismo pela PUC de São Paulo, foi marcada por muita vontade, sede por aprendizado e alguns obstáculos. Segundo ela, o preconceito por escrever sobre moda sempre existiu, mas nada que a impedisse de trilhar seu caminho, quebrando qualquer estereótipo de superficialidade. “Comecei minha carreira em um jornal pequeno, passei por assessoria de imprensa, área de marketing de moda, e por aí vai. Mas sempre fazendo trabalho freelancer para revistas femininas”, pontua. Quer saber um pouco mais? Dá só uma lida na entrevista que fiz com ela:

  • Mônica, pra você, quais são os conhecimentos específicos que um profissional de jornalismo deve buscar para cobrir com eficiência essa área?

Com certeza é fundamental uma gramática perfeita, curiosidade afiada, e disposição para ler toda e qualquer revista que cair em suas mãos. Além de que você trabalha 24 horas por dia (tenho pautas até em sonhos, acredita?). Precisa ser bem cara de pau, com uma pitada de sorte, e nunca perder o brilho nos olhos.

  • Como é o dia a dia da redação?

Chego por volta das 11 horas da manhã e saio umas 10 horas da noite. Não reclamo nunca, amo meu trabalho! Fora isso, tenho pouca rotina. Muitas reuniões fora, almoços de relacionamento e eventos mil. Mas a revista ocupa mesmo 24 horas do meu tempo, tudo rende pauta! Seja assistindo TV, lendo jornal, conversando com amigos, ou até dormindo!

  • Como foi o convite para ser editora chefe da Glamour? Bateu um certo medo, por assumir uma responsabilidade desse tamanho?

Era redatora-chefe da Vogue, e passei por um processo de seleção. Medo exatamente não tive, mas sim um frio na barriga positivo diante do desafio desconhecido.

  • A revista tem pouco tempo no mercado, mas já se destaca dentre tantas outras nas bancas. Porque você acredita que ela faz tanto sucesso?

Porque a gente ousa ser diferente, surpreender, pensar fora da caixinha. Para mim a Glamour é moderna. Se todas as capas têm carão, a gente sorri. Se todas as modelos têm cara de boneca de cera, a gente quer que elas sejam de verdade. O diferente me interessa. Mais do mesmo é chato, entediante.

  • Acredito que o grande diferencial de vocês seja o humor, além da acessibilidade com a leitora. Isso é um perfil da revista, ou é exclusividade brasileira?

É o perfil da americana e da inglesa, que são os dois grandes casos de sucesso da família Glamour. Em outros países, como a França, por exemplo, você não nota muito esse traço. Mas o humor sempre foi minha paixão. Gosto de textos leves, de conexão íntima. Nunca tive dúvidas que a Glamour no Brasil deveria ter essa personalidade.

  • Quantas reuniões de pauta vocês fazem por semana?

Fazemos uma grande e outras pequenas diárias, com as editorias para checar o andamento das pautas.

-> Para quem ama esse universo, e sempre quis saber como funciona a redação de uma revista, olha só esse reality que a Glamour criou: