Anote já: a Lisboa de Eça de Queirós

Tenho que confessar que sou uma aficionada por escritores portugueses. E tenho algumas obras que, de tão favoritas, já se tornaram parte da minha história (como se tivesse, de fato, conhecido cada personagem narrado por Eça de Queirós ou discutido sobre o sentido da vida com Fernando Pessoa). E foi quase inevitável, enquanto andava pelas ruas de Lisboa, não pensar no Ramalhete e na Rua de S. Francisco; ou não fantasiar sobre os encontros românticos entre Pessoa e Ofélia Queiroz.

O fato é que, quando falamos de Eça, falamos da capital portuguesa. Afinal, ela foi palco de suas obras e, principalmente, sua vida. Até hoje as ruelas lusitanas exibem as marcas deixadas pelo autor. Basta uma rápida visita ao Chiado e, sem grande esforço, é possível descobrir um mundo de memórias antigas – da Lisboa oitocentista, ora vanguardista, ora conservadora, à Lisboa de Os Maias e O Primo Basílio. Por isso, hoje trago alguns dos principais pontos turísticos para os fãs do escritor. Dá só uma olhada:

  • Hotel Central

É no Cais do Sodré que resta a memória do antigo Hotel Central – o hotel mais referenciado da obra queirosiana. Aqui esteve hospedado o primo Basílio e foi também o cenário para Carlos da Maia ter a primeira visão de Maria Eduarda, em Os Maias. Muitíssimo frequentado por Eça, o local hoje abriga um banco, facilmente encontrado no número 52/54, da Praça Duque da Terceira.

  • Grêmio Literário

Na antiga Rua de S. Francisco, palco de grande parte da ação de Os Maias, se encontra a atual Rua Ivens. No primeiro andar do número 31 morou Maria Eduarda. E é também nesta rua, no número 37, que se localiza o famoso Grêmio Literário. Fundado em 1846, ocupa este palacete desde 1875. Eça era um frequentador regular e a mesa onde costumava ler o jornal diário ainda se encontra por lá.

  • Teatro de São Carlos

O famoso teatro de São Carlos, local de encontro obrigatório dos personagens de Eça de Queirós (e onde Carlos da Maia mantinha um camarote permanente), foi criado em 1793 e era a sala de espetáculos mais prestigiada de Lisboa. Frequentada pelos reis e a burguesia endinheirada, era o ponto de encontro para ouvir ópera e trocar mundanidades.

  • Pastelaria Cister

Era na pastelaria Cister, fundada em 1838, que Eça tomava todos os dias o seu pequeno-almoço. Ela foi remodelada há pouco tempo e hoje abriga um painel de azulejos alusivos ao autor, além de diversos retratos espalhados pelas paredes. Com preços acessíveis e comida caseira, a dica é provar as tostas feitas com pão alentejano e as marmeladas – simplesmente deliciosas. O local fica na Rua Escola Politécnica, número 107.

  • A Brasileira e Casa Havaneza

Na famosa Rua Garrett, no Chiado, se situam dois pontos de encontro dos homens da sociedade de então: o café A Brasileira (onde se encontra a famosa estátua de Fernando Pessoa, grande amigo de Eça), e a Casa Havaneza, a melhor tabacaria da capital. Fundada em 1865, ambos os locais eram pontos de intrigas e debates políticos (como descreve Eça em diversos enxertos de suas obras). Vale aproveitar o passeio para visitar a Livraria Bertrand, fundada em 1732 e considerada a livraria mais antiga do mundo. Para quem ama literatura portuguesa, é um verdadeiro deleite.

  • Café Nicola

No Rossio (Praça D. Pedro IV), outro palco das obras queirosianas, não se esqueça de visitar o Café Nicola. É justamente neste prédio que se encontra a casa dos pais de Eça, onde o autor viveu grande parte de sua vida. Basta procurar que logo se encontra uma placa alusiva, informando que a casa ficava no 4º andar, no número 26. A praça tem prédios importantes como a Estação do Rossio, o Teatro D. Maria II, a fonte barroca e o pedestal com a estátua de D. Pedro IV. Visita obrigatória.

  • Restaurante Tavares Rico

A Rua da Misericórdia abriga um dos restaurantes favoritos de Eça, antigamente chamado de Café Tavares. É famosíssimo na cidade e foi, durante muitos anos, o ponto de encontro dos grandes intelectuais e das figuras mais ilustres. Vale ressaltar a decoração do ambiente, que te transporta de uma forma brutal para o século XIX, destacando-se pela sua beleza digna de palácios europeus. Dica: o vinho do Douro é um dos melhores da cidade.

  • Hotel As Janelas Verdes

003A uma curta distância do Museu de Arte Nacional, na Rua das Janelas Verdes, situa-se um belíssimo palacete do século XVIII. Trata-se da antiga residência de Eça, hoje um pequeno e elegante hotel boutique, com muitos dos apetrechos de uma velha casa literária: paredes em painéis de madeira, poltronas ornamentais, livros antigos, mapas e objetos de antiquário por toda parte. Há quem afirme que foi este palacete que inspirou o autor a criar o Ramalhete, de Os Maias.