Mulher entende de finanças? Pois é claro que sim

Olha que interessante: vocês sabiam que 52% dos empreendedores mundiais são mulheres? Além disso, 21% dos cargos executivos no mundo todo são, hoje, ocupados pelo sexo feminino – sendo 22% na América Latina, de acordo com estudos da Grant Thornton, em 2012. Isso só nos mostra que está, realmente, havendo uma mudança cultural, onde as mulheres estão cada vez mais encorajadas. Ou seja, além de trabalhar, cuidar da cada, dos filhos e delas mesmas, elas ainda querem empreender. E tem coisa melhor do que isso?

Esses dias assisti pelo Youtube uma palestra muito interessante, organizada pela FIESP, onde quatro mulheres empreendedoras foram convidadas para contar um pouco sobre a sua trajetória. Fiquei especialmente encantada com a história da Carolina Sandler, fundadora do Finanças Femininas, primeiro site a tratar do assunto exclusivamente para mulheres.

“Apesar de terem perfis diferentes, essas quatro bem sucedidas empresárias compartilham de uma característica em comum: todas são guerreiras”, disse o presidente da FIESP, Paulo Skaf, ao encerrar o evento. “As histórias dessas mulheres servem de lição para todos os setores da economia. Nada acontece sem fé e muito trabalho”, finalizou.

Depois de assistir as duas horas de vídeo, que recomendo muito, resolvi entrar em contato com a Carol, onde fiz a entrevista abaixo:

Carol, conta pra gente como foi a sua trajetória até chegar à posição em que está hoje em dia?

Eu sou formada em Jornalismo, e também estudei Relações Internacionais. Minha base em economia veio de uma bolsa que ganhei para estudar no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris, onde fiquei por um ano. Quando voltei para o Brasil, fui trabalhar na redação da Agência Estado. Foram quatro anos lá, onde me especializei na cobertura financeira e econômica. Depois deste período, fui trabalhar em agências de comunicação corporativa, tanto em São Paulo, como em Singapura. Sempre tive muita vontade de empreender, já que venho de uma família de empreendedores, mas sempre me faltava uma boa ideia. Quando percebi que não havia um site que falasse de finanças só para mulheres, percebi que havia ali um nicho que eu poderia trabalhar com prazer. Foi quando resolvi criar o Finanças Femininas. A partir daí, foi tudo empreendedorismo: fazer muita pesquisa para entender bem o mercado, investir na criação do site, buscar montar uma equipe, e criar de fato uma empresa. Tem sido uma experiência muito realizadora, mas ainda temos um longo caminho a percorrer.

Pra você, quais são os conhecimentos específicos que os profissionais de Jornalismo devem buscar para cobrir com eficiência essa área?

Acredito que um jornalista deve entender bem a editoria que cobre. Se a opção for o jornalismo econômico, ele precisa estudar e entender o funcionamento da economia e das finanças. Existem diversos cursos que podem ajudar nessa especialização. E sempre buscar se aprofundar, ler tudo sobre o assunto. É assim que você vai ganhando o domínio daquilo na prática.

E quando você sentiu a necessidade de falar diretamente com o público feminino?

O site surgiu quando eu percebi que não havia um canal para falar sobre este assunto só com mulheres. Este foi o ponto de partida, mas é claro que estudei muito o assunto e percebi que não só não havia nada do gênero, quanto que existia uma real necessidade por parte das mulheres para entender melhor o assunto. Segundo estudos, a mulher ainda é a principal responsável pelos cuidados da casa e dos filhos. Em 38% dos domicílios, segundo o último Censo, ela é a chefe – ou seja: ou não tem marido, ou ela ganha mais do que ele. A mulher é mais escolarizada hoje que o homem, e seu papel está ganhando cada vez mais relevância no mercado de trabalho. Mas como ela equilibra tudo isso? Além do trabalho, ela tem os outros turnos: casa e filhos. E ela tem uma visão de que entende de dinheiro menos do que os homens, que este é um assunto para eles. Mas não é. Como poderemos ter mulheres independentes, se elas deixam o cuidado do seu dinheiro com outros?

Como você enxerga a mulher no mercado de trabalho atual?

A mulher está cada vez mais preparada e vem assumindo cada vez mais cargos altos, com bons salários. Ela tem, em média, um ano e meio a mais de tempo de estudo do que os homens, segundo o IBGE, e corresponde a 60% da população universitária no Brasil. A renda dela também cresceu de uma forma muito mais acelerada do que a dos homens na última década. No entanto, ainda existe uma diferença salarial que é real no Brasil. Segundo o IBGE, o salário da mulher é 28% menor do que o do homem que exerce o mesmo cargo. Ou seja, isto ainda está acontecendo. Segundo estudos, as mulheres negociam menos do que os homens, eles pedem mais, reivindicam mais. Podemos, sim, assumir este tipo de postura, mas precisamos que o mercado de trabalho também se prepare para mudar esta situação. Acredito que é responsabilidade de todos.

Que conselho você dá para as mulheres que estão começando a carreira agora, e querem organizar e controlar suas finanças?

Para quem quer começar, o primeiro passo é saber como você gasta o seu dinheiro. Acompanhar todos os seus gastos e montar um orçamento é o primeiro passo para você começar a controlar as suas finanças. Quando você sabe quanto gasta, e como gasta, começa a ver como pode melhorar isso, a questionar o que é necessário e o que é supérfluo, o que é importante para você e o que não é. Só assim você vai conseguir juntar, de fato, um dinheiro para começar a investir. É olhar para a sua planilha com carinho, toda semana, acompanhar tudo, para ganhar real compreensão do que dá e do que não dá para fazer. E, claro, como chegar lá.

Além da Carol, outras mulheres com histórias incríveis também participaram da palestra, como Cris Arcangeli, Lala Rudge e Sônia Hess. O vídeo é meio longo, mas vale cada segundo. Quem quiser assistir, segue abaixo: