Os livros da minha vida: Daniela Falcão, editora-chefe da Vogue Brasil

Sinceramente não acredito que exista nada nesse mundo que me dê maior prazer do que ler. E acredito fielmente que um livro pode, de todas as formas que se é possível, mudar uma vida. Já dizia Fernando Pessoa, em um dos livros que sem sombra de dúvida mais me comove e encanta, “O Livro do Desassossego“, que não há nada melhor do que se perder na leitura. “As palavras são para mim corpos tocáveis, sereias visíveis, sensualidades incorporadas (…) Estremeço se dizem bem“. E eu estremeço a cada linha que ele escreve. “Gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente“.

E realmente, não existe algo mais extraordinário do que alguém que saiba exprimir ideias de uma forma tão majestosa que emociona. E é exatamente por isso, pela leitura ser algo tão íntimo, que quando conheço alguém pela primeira vez, não consigo deixar de perguntar qual o seu livro favorito. E a cada novo título, a lista aumenta. Afinal, mais prazeroso do que ler é poder entrar no mundo de outra pessoa e entendê-la melhor. Por isso resolvi criar a tag “Os livros da minha vida”, onde pergunto a diversas pessoas qual é o tal livro que os faz estremecer. Começando hoje com a jornalista Daniela Falcão, uma das profissionais de moda mais respeitadas do mercado brasileiro. Confiram a resposta dela:

“Tem dois livros que mudaram minha vida, em momentos diferentes, e não saberia eleger um só. O primeiro foi ‘Coiote‘, de Roberto Freire. Eu tinha uns 15 anos e foi a primeira vez em que li um livro que me fez ter vontade de ser outra pessoa, de viver aquela vida, de entrar na história. Marquei várias passagens inteiras, e também foi a primeira vez que fiz isso. Bem mais tarde, outro livro que provocou reação tão intensa, mas completamente diferente foi ‘A Trilogia de Nova York‘, de Paul Auster. Neste caso, foi uma paixão mais pela forma que pelo conteúdo. A maneira como Auster envolve o leitor em sua trama meio nonsense, o ritmo de sua prosa, o estilo… Enfim, foi a primeira vez que me apaixonei não por um personagem, mas pela maneira pela qual a história era contada. Desde então, li todos os livros dele e, volta e meia, releio os meus prediletos.”