Os melhores amores não são os primeiros (são os últimos)

Tenho um grande amigo que diz “os melhores amores não são os primeiros, e sim os últimos”. E se me dissessem isso há alguns anos atrás, eu certamente não acreditaria. Porque sempre fui daquelas que acreditava em um único amor. Que esperava, pacientemente, pela pessoa certa, no momento certo, na hora certa. E é claro que, com o tempo, essa pessoa apareceu. E se me perguntassem se valeu a pena a espera, eu certamente responderia que sim. Mas se me perguntassem se ela era “a” pessoa da minha vida, eu certamente responderia que não.

E doeu muito aceitar isso. E confesso que ainda dói. Mas a verdade é essa: meu primeiro amor não era e nem foi o último. E todas aquelas imagens projetadas na minha cabeça, todos aqueles sonhos, aquela excitação de quem acha que descobriu a fórmula da felicidade, foram apagados. Da forma mais dolorosa que você pode imaginar. Mas foram apagados. E acho que só quem perde um verdadeiro amor sabe entender essa sensação de vazio que fica dentro de nós. Essa sensação que nem as palavras conseguem descrever.

E então, assistindo ao filme 500 dias com ela, me deparei com a seguinte frase (um pouco adaptada para a minha realidade): “Você acha que ele era especial, mas não era. E sabe por que? Porque você apenas se lembra das coisas boas. E da próxima vez que olhar para trás, deveria enxergar direito”. E é isso.

Quando nós terminamos um relacionamento, só conseguimos lembrar das coisas boas que vivemos (mesmo que tenham sido poucas). E temos a tendência de nos apegar aquela pessoa como se só ela tivesse as características necessárias para nos fazer felizes. É como uma espécie de cegueira, quando você sofre achando que não há mais ninguém no mundo que possa substituir quem você tanto amou – e que não é possível amar outra pessoa da mesma forma, tocar outra pessoa da minha forma, beijar outra pessoa da mesma forma. E posso dizer? É duro, mas é possível.

O fato é que precisamos nos libertar do que passou. Precisamos aprender a enxergar o lado bom de todas as histórias e pessoas que passam pela nossa vida. Afinal, o sofrimento nos faz crescer, a dor nos faz criar. E essas experiências nos fazem rever o modo como enxergamos a vida, como enxergamos as pessoas. E quando você começa a perceber que você é especial, que você muda a cada tropeço, você aprende que há muitos tipos de amores na vida. E que o destino pode apenas estar te preparando para viver algo muito melhor. E que essa jornada, felizmente ou infelizmente, precisa ser feita.

Hoje, depois de alguns anos de muito amadurecimento (e algumas lágrimas misturadas a centenas de páginas de texto no word), concordo que os melhores amores não são os primeiros. Os melhores amores são os capazes de amar apesar das tantas cicatrizes aparentes. Os melhores amores são aqueles que você encontra aconchego depois da tempestade.

E eu garanto: não é fácil, mas é surpreendentemente possível.