As síndromes da era digital: F.O.M.O, F.O.B.O e F.O.D.A (já ouviu falar?)

Não adianta negar: checar as redes sociais é a primeira coisa que você faz ao acordar, certo? Quando sai com os amigos, seja em um restaurante ou barzinho, seu celular está invariavelmente sobre a mesa. No trânsito, você dá sempre uma checadinha na tela a cada sinal vermelho, conferindo se há novas mensagens ou e-mails. E pra piorar: a ansiedade começa a surgir à medida que a bateria começa a acabar. É ou não é?

Pois bem, esses são apenas alguns dos comportamentos modernos que têm levado pesquisadores a criarem novas alcunhas para o nosso velho conhecido transtorno de ansiedade. Tudo isso porque, com o passar dos anos, a ansiedade vem atingindo outros patamares, ganhando diferentes e inesperados sintomas e, por consequência, se traduzindo em síndromes peculiares, como é o caso da F.O.M.O, da F.O.B.O e da F.O.D.A. Sabe o que é isso?

F.O.M.O: Fear of Missing Out
O medo de perder alguma coisa

F.O.B.O: Fear of Being Offline
O medo de ficar off-line

F.O.D.A: Fear of Doing Anything
O medo de fazer qualquer coisa

Um vício chamado FOMO

 Não necessariamente uma doença, a síndrome FOMO vem sendo estudada como um comportamento que deriva do vício em tecnologia. Trocando em miúdos, é quando a pessoa sente uma necessidade crônica de saber o que os outros estão fazendo e se sentir parte disso. Segundo a psicóloga Maria Augusta de Toni, “essa síndrome é caracterizada pela dose de ansiedade, indecisão, inadequação e irritação que toma conta das pessoas quando conferem suas redes sociais. Afinal, vemos pessoas viajando, saindo, se divertindo e, às vezes, estamos em casa sem fazer nada. Isso gera um sentimento de questionamento, por achar que está de fora, perdendo tudo o que acontece ao redor do mundo”, explica.

Um medo chamado FOBO

Irmão mais velho do FOMO é o parecido FOBO, que em bom português significa “medo de estar desconectado”. Ou seja, é quando a pessoa se sente realmente mal por estar desconectada da web e sente uma necessidade quase obsessiva de atualizar a timeline. É mais ou menos como relatou a editora-chefe da revista Glamour Brasil, em sua carta da editora: “minhas férias duram pouquíssimo tempo, e não consigo desligar nunca. As redes sociais agravaram um bocado esse meu defeito”. Para essas pessoas, sair de férias para algum lugar distante soa mais como um pesadelo do que um paraíso. “Não é à toa que as companhias aéreas já estão dando um jeito de voar sem precisar desligar os smartphones, pois ficar no avião durante um longo período offline, tem gerado muita ansiedade”, conta Maria Augusta.

 Um paradoxo chamado FODA

Muitas opções deveriam ser um facilitador na hora de tomar decisões, certo? Mais ou menos. A síndrome FODA vem de uma consequência das outras duas modalidades citadas acima. Ela surge quando a pessoa sente que tem que saber de tudo, participar de tudo e estar hiperconectada o tempo inteiro. Por isso, a pessoa sofre, ansiosa e inerte, diante de um mar de opções. “Toda vez que escolhemos fazer certa coisa, renunciamos outra. Afinal, se escolhemos viajar para um destino, renunciamos vários outros. E com tantas opções, muita gente se sente paralisada, incapaz de tomar uma decisão – e acabando por não fazer nada”, explica a psicóloga. Ou seja, a falta de certeza de estar optando pelo melhor, nos impede de fazer uma escolha pelo melhor naquele momento.

Consequências para o dia a dia

O Brasil encerrou o ano de 2014 com cerca de 280 milhões de celulares habilitados no país, o que representou um aumento de 3,5% em relação a 2013. Ou seja, o número de celulares nos dias de hoje ultrapassa o número de habitantes. Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, PhD pelo Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, as pessoas estão vivendo uma grande ansiedade existencial.

“Nós estamos recebendo uma avalanche muito grande de informações e o ser humano não está preparado para lidar com isso”, explica. E devido a essa artificialidade dos relacionamentos e a essa necessidade de compartilhar a vida no mundo virtual, surge a patologia. “Essa dependência pode ser considerada um transtorno de controle dos impulsos, similar aos problemas como cleptomania e compulsões”, salienta. As principais consequências para o dia a dia são a privação do sono, o isolamento social, a perda de interesse das atividades sociais, problemas de visão e coluna, entre outros.

Pensando em oferecer um atendimento mais personalizado à população, Cristiano e mais seis profissionais criaram o portal online Dependência de Internet, um projeto realizado no Hospital das Clínicas de São Paulo. “Nosso trabalho inclui tratamento de psicoterapia em grupo, tratamento psiquiátrico e psicoterapia individual, quando necessário. Nossa principal função é devolver aos pacientes a perspectiva de controle e auto regulação”, explica. Para descobrir o seu grau de dependência, basta acessar o portal aqui e realizar um teste gratuito.