Os livros da minha vida: José Cabral, autor do blog O Alfaiate Lisboeta

Como já falei nesse post aqui, resolvi criar a tag “Os livros da minha vida”, onde convido diversas pessoas para compartilharem conosco os títulos que mudaram a vida delas de alguma maneira. E o convidado dessa semana é o blogger José Cabral, autor do conhecido O Alfaiate Lisboeta e criador do e-commerce de roupas masculinas J.Lisbon. Ele compartilha conosco os cinco livros que fizeram parte de cinco momentos distintos de sua vida. Confiram:

Os Filhos da Droga, Christiane F.

“A minha professora de português do 7º ano (tinha eu 12 ou 13 anos) instituiu uma rubrica nas suas aulas chamada “biblioteca de turma”, na qual estávamos obrigados a escolher um livro e a fazer uma ficha de leitura sobre ele (ou até apresentá-lo em sala de aula). Esta obra despertou a minha atenção pelo tema marginal que abordava. Acho que foi essa abordagem crua (repleta de experiências de vida extremas, palavrões novos e um submundo underground que, suponho, conseguia simultaneamente cativar e assustar qualquer adolescente) que acabou por me prender a uma narrativa que girava em torno de um flagelo que marcou profundamente a década de 90. Foi o primeiro romance que me lembro de ter gostado de ler (se é que não foi mesmo o primeiro que li até ao fim).”

Os Maias, Eça de Queirós

“Foi a minha primeira grande obra de literatura e foi também a primeira vez que senti e vivi uma narrativa de forma tão profunda e prolongada. Lembro-me de projectar em mim e no meu melhor amigo de então a dupla Carlos da Maia e João da Ega. E tenho também presente de, pela primeira vez na vida, me ter emocionado a ler o que quer que fosse. Acho que não conseguiria casar com uma mulher que não tivesse gostado dos Maias (risos).”

Ensaio sobre a Cegueira, José Saramago

“Foi talvez a minha experiência literária mais intensa. Acho que nunca devorei um livro de forma tão ávida. E francamente, não sei se algum dia voltarei a fazê-lo.”

 

 

A Festa do Chibo, Mário Vargas Llosa

“A literatura mundial está repleta de romances históricos e tramas políticas, mas não consigo estimar que haja uma meia dúzia de títulos que esteja ao nível desta obra. Foi também a primeira vez que li um Prémio Nobel antes de a Academia Sueca lhe prestar tal reconhecimento. Acho que gosto de poder dizer que percebi antes que todos aqueles ilustres jurados a genialidade do Vargas Llosa (risos).”

Freakonomics, Steven D. Levitt e Stephen J. Dubner

“Não é um romance nem sequer, vistas bem as coisas, uma obra literária no sentido purista do termo. É sim uma reflexão e uma desconstrução interessante, espirituosa e inteligente daquilo que é a nossa vida, de dados estatísticos, crenças generalizadas e até alguns mitos sobre o mundo e as relações que estabelecemos nele. Mais que tudo, é um convite e uma inspiração para que tentemos olhar para as coisas de outra forma distinta.”