“A Teoria de Tudo”: o que sabemos sobre o amor?

São as cenas mais simples que geralmente mais me comovem. E há um momento em especial, no filme “A Teoria de Tudo”, que me fez ficar com aquele nó na garganta – e com o arrependimento de ter ido assistir ao filme no cinema, já que foi praticamente impossível segurar as lágrimas com a atuação impecável de Eddie Redmayne e Felicity Jones.

Porque vamos combinar, é preciso ter um coração de pedra para não se emocionar com esta cena: o momento em que a voz artificial do computador de Stephen Hawking comunica à sua mulher uma informação aparentemente banal. E o momento em que Jane ajoelha-se em frente à cadeira e ambos apenas se olham – aqueles segundos que parecem levar uma eternidade. “I have loved you“. Esta foi a única frase dita, e que explicou todas as escolhas de vida tomadas até ali. E não foi preciso mais nada.

“Em toda a minha carreira de escritor, com certeza esta cena foi a mais difícil de criar. Precisava encontrar, em pouquíssimas palavras, como demonstrar grandes emoções. E este foi, com certeza, o meu maior desafio”, relatou o roteirista Anthony McCarten para o site americano Vulture.

E sem dúvida, esse término é provavelmente uma das cenas mais lindas que já vi até hoje. E que, felizmente, nos faz questionar o amor atual, nos tempos em que diante da menor dificuldade se desiste de tudo. Onde não há paciência, dedicação, vontade. Fé.

O filme nos mostra exatamente aquilo que o sentimento é capaz: transformar, superar, suportar, perdoar e manter vivo. Nos mostra o amor de forma genuína – andando lado a lado ao sacrifício. Porque amar é isso: se doar. Algo muito raro em um mundo onde muitas relações são superficiais. Em um mundo onde a palavra “acreditar” já não consta mais no dicionário.

E é fato: só quem já amou sabe a sensação de querer viver para o outro. Como disse meu amigo Paulo José Miranda, em um texto escrito recentemente para o Brasil Post, “viver um amor é viver a morte, a possibilidade da morte. Sozinhos somos imortais. Só a queda no amor nos dá a queda na mortalidade. Só o amor por outro nos torna humanos”.

E não há nada mais lindo do que uma história de amor verdadeira, em que a inocência e o sacrifício andam de mãos dadas. Aquele amor real – nada fantasiado dos livros populares ou das comédias românticas. Aquele amor que te consome por inteiro, que te faz questionar tudo o que você viveu até então. Aquele amor que supera obstáculos, que resiste ao tempo. Aquele amor que você não entende por que é amor. Mas é.