#SPFW: o desfile fetichista de Herchcovitch

Não existe São Paulo Fashion Week sem Alexandre Herchcovitch. E não existe desfile mais aguardado do que o dele, que sempre surpreende por suas criações e inspirações inusitadas (nunca me esqueço do verão 2015, com uma mistura belíssima do romântico anos 50 com uma pegada moderna atual).

Dessa vez, abrindo a 40ª edição da semana de moda nacional e apresentando sua coleção de inverno 2016, Alexandre nos insere em um universo fetichista com um forte apelo sexual. “É uma história sobre amor e perda, perversão, sexo e poder”, explica ele à Folha de São Paulo. “Além disso, há um mix de tudo o que já fiz na moda, as inspirações do início da carreira, obsessões pelo corpo, modelagem e costura”.

O desfile abriu com camisolas de tricoline de cashmere e um trabalho impecável com fitas de gorgorão, que permeia toda a coleção e faz a transição entre a inocência e a intimidade. O trabalho com as fitas remete ao bondage, com transparências, muito zíper, amarrações, argolas sobrepostas como sutiã, e seios que ficam de fora por conta do recorte com viés SM.

O mais interessante é que 80% da coleção foi feita apenas por duas costureiras, as únicas que tinham as habilidades necessárias para a pré-moldagem à vapor das fitas. “Elas são muito difíceis de trabalhar”, explicou Herchcovitch ao site FFW. Os detalhes ficaram por conta de um alfaiate, que pregou todas as mangas de alfaiataria em ponto picado. Ou seja, uma coleção extremamente artesanal e difícil de encontrar aqui no Brasil.

Ponto de destaque do desfile: adorei o local onde foi apresentada a coleção, no salão de mármore da Prefeitura de São Paulo, e o convite (um bilhete único carregado com R$ 7). Vejam algumas fotos:

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