A indústria dos relacionamentos online: onde fica o amor?

Precisava compartilhar com vocês um documentário excelente que assisti esses dias, uma recomendação da minha amiga e também blogger Helena Magalhães – que assina o delicioso The Styland. Esse vídeo, que compartilho abaixo, fala basicamente sobre a indústria virtual do amor e sobre como esses novos aplicativos potencializam aquilo que todos nós procuramos: o contato humano.

A Helena, que é tipo a Carrie Bradshaw portuguesa (e que escreve textos ótimos sobre esse tema tão complexo), resolveu fazer um teste: se cadastrou no Tinder e compartilhou as conversas bizarras que teve durante cerca de duas semanas. O resultado é hilário e vale o clique – para quem quiser ler tudo, basta clicar aqui.

Depois de ler esse texto e assistir ao documentário, lembrei de uma experiência parecida que fiz em Agosto do ano passado, para uma matéria no Brasil Post. A diferença é que ao invés do Tinder, me cadastrei no OkCupid, que agrega milhões de usuários no mundo todo – e promete, como todos os outros aplicativos, encontrar o “par ideal” de forma rápida, fácil, indolor e com resultados imediatos.

Lembro que topei essa experiência com a seguinte dúvida: “Será que é possível encontrar o amor por meio de uma seleção virtual? E o que as pessoas realmente procuram?”.

Pois bem, antes mesmo do processo começar tive que responder perguntas muito específicas (e estranhas) sobre determinados assuntos. Segundo eles, essas informações ajudariam a filtrar minha “alma gêmea”, que anda perdida por aí. Dentre as mais esquisitas, lembro de ter anotado duas: “Quantos atores pornô você consegue nomear de cabeça?” e “De um certo ponto de vista, você acha que uma guerra nuclear seria excitante?”. Pois é…

Após preencher todo o cadastro e praticamente fazer uma análise da minha vida, eu estava dentro. Ou melhor, pronta pra jogar. E foi rápido: em menos de cinco minutos cerca de 20 homens diferentes abriram uma conversa comigo. Canadá, Estados Unidos, Brasil, México, Austrália, França, etc. E o que fui descobrindo, com o passar do tempo, foi o que eu já suspeitava anteriormente: os relacionamentos se tornaram uma piada. E o que, de fato, ocasionou isso tudo… sinceramente não sei dizer.

A questão é que, de um modo geral, as relações atuais começam e terminam com uma rapidez impressionante. A quantidade de pessoas que conheço que se “apaixonam” diversas vezes ao longo do ano é grande. Sexo com desconhecidos? Normal. Conversar com 10 ou 20 pessoas ao mesmo tempo? Pf, normal.

O resultado disso é a desistência. Esse foi o lema de praticamente todas as pessoas que conversei naquela experiência. É mais ou menos como: “o mundo está assim? Então vamos aproveitar e o futuro que fique para amanhã”. E assim vai caminhando o tempo. Homens e mulheres em busca de relações superficiais, sexo rápido, prazer imediato. “E o amor? Onde ele fica?”, lembro de ter perguntado. A resposta foi simples:

Somewhere, darling, somewhere…”