#viveatuabeleza (todos os dias!)

Lembro até hoje da capa da revista Veja de novembro de 2006. Eu tinha 12 anos, altura em que comecei a me encantar pela escrita e também a enxergar o mundo (e a mim mesma) com outros olhos. Aquela capa, com a modelo Ana Carolina Reston, mexeu muito comigo. E foi a partir desse caso, em particular, que o país começou a falar mais seriamente sobre a ditatura da beleza e os padrões impostos pela sociedade. A modelo, na época com 21 anos (minha idade de agora), faleceu por anorexia nervosa – e a chamada de capa estampava em letras garrafais “a beleza que mata”. Esse assunto, esse caso, e essa minha quase obsessão em tentar entender a mente humana, me levou a fazer um estudo, no primeiro ano da faculdade de jornalismo, sobre o que é, para nós mulheres, a beleza. Desde então esse é um tema que anda comigo lado a lado.

Em 2007, com 13 anos, também lembro de ter lido um livro chamado “A ditadura da beleza e a revolução das mulheres”, escrito pelo psiquiatra e professor Augusto Cury (o cara que, definitivamente, me levou ao mundo dos livros e das questões sociais). Devorei aquelas páginas em menos de dois dias e fiquei encantada pela forma simples que ele tratava assuntos tão complexos. Até hoje a sigla PIB, que significa “padrão inatingível de beleza”, martela na minha cabeça. Principalmente nos dias de hoje, com uma mídia capitalista que nos bombardeia tantas informações, que muitas vezes, infelizmente, nos fazem esquecer da nossa própria individualidade e natureza. É como diz o início do livro citado, “você precisa aprender, dia após dia, a ter um caso de amor com a pessoa que você é”. E saber filtrar essas informações, sem afetar o que somos, é uma das tarefas mais importantes.

Toda essa introdução é pra falar da Helena, que com mais sete blogger portuguesas criou o movimento Vive a Tua Beleza – englobando tudo o que falei acima e mais um pouco. Segundo ela, “numa altura em que os blogues são, cada vez mais, canais de comunicação poderosos, nós estamos dando a cara pela beleza real”. E esse grupo espelha exatamente isso, “um misto de diversos tipos de corpos, histórias, mentalidades e formas de lidar com inseguranças. Queremos pegar na severidade que é não sermos aquilo que a sociedade nos impõe como perfeito e mostrar como podemos ser felizes”. Não é demais? ❤

O grupo completo 🙂

No site, que podem ver aqui, cada uma delas partilha sua história com a esperança de que inspirem outras mulheres a se aceitarem como são. Abaixo apresento cada uma e compartilho um trecho do que falam:

Helena Magalhães | The Styland

Sara Cabido | Little tiny pieces of me

Marta Pinto de Miranda | M. por Amor

Sara Meess | Diary of Fashion

Ana Gomes | A melhor amiga da Barbie

Magda Soares | Macarons e Purpurinas

Marta Martins | Pegada Feminina

Adriane Garcia | O meu vício

E a verdade é essa: não existe um padrão. A beleza não é definida por um sorriso perfeito ou abdominais tonificados. Ela não é definida pela quantidade de rugas que você tem no rosto ou se há ou não fios brancos na sua cabeça. A real beleza vive em todas as nossas particularidades e em tudo aquilo que projetamos para o exterior – só assim é possível se amar e ser amado. Por isso, acreditem nessa causa e acompanhem o movimento. Só através da informação é que chegamos às grandes mudanças. E viva a nossa beleza 🙂