As cartas que nunca te enviei: Eu achava

Meu amor,

Eu achava que depois daquele beijo as coisas finalmente seriam diferentes. Que todas aquelas dúvidas que retorciam a minha mente seriam enfim desfeitas. Que tudo ganharia cor, vida, cheiro e sabor.

Eu achava que as duas estações do ano, tão opostas entre si, teriam a mágica perfeita de unir dois seres tão desconexos. Que todas as memórias e lembranças daquilo que trilhamos (ambos em seus próprios caminhos) enfim se encontrariam… pelo amor.

Eu achava que depois daquele silêncio insuportável da primeira vista, tudo viraria música. Que poderíamos passar horas a fio apreciando o silêncio cantante um do outro. E que isso não nos incomodaria.

Eu achava que depois de passar por relações fantasiadas de amor, eu finalmente seria capaz de me entregar inteira e verdadeiramente.

Por amor. Pelo seu amor.

Eu achava que o tempo que tanto nos separou, e a distância que tanto nos consumia, havia enfim se transformado em tempo presente. E que meu futuro havia se grudado ao seu.

Também achava que a presença do seu corpo físico curaria toda a ausência que eu sentia sua, mesmo sem ter lhe tocado uma única vez. Que todos os dias que passei com o gosto do seu beijo entalado na garganta finalmente iriam desaparecer. Pra sempre e todo o sempre.

Eu achava. Achava que mal sentia os pés no chão.

Mas eu achava, somente achava…

Sua