Os melhores poemas brasileiros: Motivo, de Cecília Meireles

Tenho um fascínio por poesia que não sei nem ao certo de onde vem. Só me lembro do ano – 2008 – e de alguns nomes, como Neruda, Drummond, Vinícius, etc. A poesia, pelo menos pra mim, sempre foi uma espécie de admirável mundo novo, que me fazia desligar um pouco e conhecer as tantas formas que uma mesma língua poderia tomar. E desde que iniciei este blog, ou desde que iniciei a escrever online, resolvi que a literatura andaria lado a lado aos outros tantos assuntos que gosto de escrever, ler e entender. Porque sinto que preciso, de verdade, falar do que realmente me move – explorar a literatura brasileira e portuguesa, falar de poesia, de comportamento humano e de tantas outras vertentes que esse mesmo tema consegue ter.

Parece complexo, mas juro que não é. Por isso, desde setembro do ano passado, resolvi compartilhar com vocês os poemas mais emblemáticos da nossa história, como uma forma de armazenar e apresentar toda essa infinidade de nomes – que valem a pena serem lidos e conhecidos.

O poema que trago hoje é de uma das minhas poetisas favoritas: Cecília Meireles. Para quem não conhece, a literatura dela é pontuada por uma forte sensibilidade feminina, pela viagem para dentro de si e pela introspecção. A musicalidade também está presente, assim como o universo de sonho, de fantasia e de solidão. “Motivo” é um dos 100 mais famosos poemas brasileiros.

Motivo

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias;
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou se passo

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada