Os livros da minha vida: Helena Magalhães, escritora e autora do The Styland

Não quero me prolongar muito porque ainda pretendo fazer um post bem especial com a Helena, contando um pouco sobre o trabalho dela e como nos conhecemos. Mas antes disso não poderia deixar de convidá-la para uma das tags que mais amo aqui no site e que tem tudo a ver com ela (que é apaixonada por livros como eu). ❤

Só adianto que vale muito a pena conferir o The Styland e salvar nos favoritos. As crônicas intituladas “O amor é outra coisa” são extremamente bem escritas e é impossível não se identificar com os dramas e questionamentos do mundo dos relacionamentos. Ela também assina uma coluna no Huffington Post Brasil, que vocês podem ver aqui, e escreve para o Observador, portal online português.

Confiram abaixo as respostas dela:

“Quando penso em mim, lembro-me sempre de mim com livros. E sempre tive um fascínio pela literatura tão fora do normal que acho que só poderia acabar a escrever e a fazer disto a minha vida. Ler e escrever sempre me serviram como refúgio ou, em última análise, como uma extensão de tudo aquilo que sentia. E uma das coisas que sempre me assustou, foi pensar que poderia passar por este planeta sem deixar nenhuma marca. Acho que foi isso que, desde cedo, me fez apaixonar por esta arte de criar com palavras. E, acima de tudo, esta arte de nos fazer viver tantas vidas sem sair do mesmo lugar.

Destacar alguns que tenham marcado a minha vida não é fácil – porque já li centenas de livros. Estes de que vou falar, não foram os únicos que me marcaram – essa lista é infinita – mas são seis que recomendo qualquer mulher a ler porque vão mudar a sua forma de viver.

Orgulho e Preconceito, de Jane Austen 

Este foi o primeiro livro de Jane Austen que li – por mero acaso. Talvez quando tinha uns 16 anos. E mudou para sempre a minha perspectiva sobre o papel da mulher na vida, nas relações e na sociedade. Grande parte das mulheres de hoje comportam-se como “Lydias” e eu sempre quis ser uma “Elizabeth”. Acho que este livro me marcou tanto que, sem dúvida, me tornou na mulher que sou hoje em dia e criou os valores que tanto defendo quanto às relações humanas.

A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez

A Lua de Joana é um livro que, aqui em Portugal, faz parte do Plano Nacional de Leitura para os 12 anos. Ou fazia. E eu li-o exatamente por essa idade (e voltei a reler há alguns anos atrás e, embora não tenha tido o impacto que teve aos 12 anos, continua a ser um livro que todas as raparigas devem ler). Conta a história de Joana, que perdeu a sua melhor amiga devido a uma overdose. E lembro-me que, na altura, me fez ver como a vida não é tão cor-de-rosa como imaginamos e que não devemos seguir tudo o que os nossos amigos fazem porque cada um tem de seguir o seu caminho.

Jane Eyre, de Charlotte Bronte

Só descobri Jane Eyre o ano passado e fiquei completamente rendida às irmãs Brontë, tendo depois lido mais uns quantos. Jane Eyre é um romance mágico, envolvente e misterioso que nos faz mergulhar na vida dentro das paredes de Thornfield Hall e dos seus habitantes e torcer para que Jane aceite Mr. Rochester como ele é – com todos os seus defeitos que o tornam, afinal de contas, um homem maravilhoso. O que me fez gostar acima de tudo deste livro é a forma como a personagem feminina, Jane, não é a típica mulher frágil que precisa do cavaleiro, Mr. Rochester, que a salve. Jane é selvagem, única e destemida e acaba por ser ela a salvá-lo a ele.

Água aos Elefantes, de Sara Gruen

Sou completamente fã de romances históricos em todas as suas diferentes vertentes. E Água aos Elefantes conta a história de Jacob, algures nos anos 20, por altura da Grande Depressão, que se refugia dentro de um comboio que vem a descobrir pertencer ao circo dos Benzini Brothers. Acaba por ficar encarregue de tomar conta de um elefante-fémea, e começa aqui a sua paixão por Marlena, a estrela do circo e esposa do malvado director. Não vou contar o final mas este é daqueles romances que nos faz entrar de rompante no universo em que ele é escrito, como se fizéssemos parte do circo. Ao ler, conseguimos imaginar toda a envolvência, como se nos tornássemos também nós uma personagem. É um livro tão mágico que se torna de leitura obrigatória. E o filme não lhe fica atrás.

Um dia, de David Nicholls

Li este livro numa altura em que tinha terminado uma longa relação e funcionou para mim quase como um murro no estômago: todos entramos na vida uns dos outros com uma missão, mesmo que não saibamos qual é. E é essa a história de Emma e Dexter, as personagens deste romance que vamos acompanhando ao longo de 20 anos e na forma como, apesar de viverem vidas separadas e tão diferentes um do outro, os caminhos os vão aproximando e afastando. Esta é uma história que nos faz ver que, muitas vezes, não vale a pena ficarmos a moer na tristeza porque a vida encarrega-se de nos levar para onde temos de ir. E mudou, sem dúvida, a minha forma de viver as relações. E são duas personagens que, sem dúvida, se vão tornar épicas na literatura.

Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco

Este é um dos expoentes da literatura romântica portuguesa, inspirado em factos reais e narra a história de Simão e Teresa, pertencentes a famílias rivais. Um pouco parecido a Romeu e Julieta, também dramático mas mais real, passado em Coimbra e Viseu, duas cidades portuguesas. Diz-se que Camilo Castelo Branco escreveu este livro, em 1861, em 15 dias e, como um bom romance, retrata o amor levado às últimas consequências. Li-o quando ainda era adolescente e o que consigo retirar deste livro é que é uma leitura obrigatória para se conseguir voltar a entender o amor como um sentimento que deve ser tratado com respeito e não como algo que vai e vem ao sabor da corrente.”