Must read: os meus livros favoritos do momento

Antes de chegar a Portugal prometi a mim mesma que não entraria em nenhuma livraria. Isso porque a tentação é tanta e os títulos são tão variados que é praticamente impossível sair sem uma sacola em mãos (no meu caso, duas ou três) 🙂

Já estava quase a completar uma semana quando, sem perceber, me vi dentro da livraria Ler Devagar, no LX Factory, com a Helena. Ficamos cinco minutos. Cinco minutos que me rendaram “Jóquei”, da Matilde Campilho, além da descoberta do “Trinta e Oito e Meio”, da Maria Ribeiro, em versão portuguesa.

Não bastasse isso, descobri ontem este artigo que fala sobre as duas. Vale destacar o que a Matilde diz sobre o hábito da poesia atualmente: “Acho que as pessoas, hoje, querem coisas mais curtas. Acho que é o medo das palavras ‘poeta’ e ‘poesia’ que não deixam elas chegarem ao outro lado. E, quando chegam, percebem que não há lado de lá nem de cá, é tudo o mesmo. Uns de uma maneira mais lírica, outros de forma concreta, mas a poesia é muito feita de dia a dia. Há uma geração que pode fazer como o Frank O’Hara, que começa um poema com uma Coca-Cola, até uma poesia superelaborada. O ser humano é feito de praticidade e de eterno. Temos esta eterna confusão de sermos seres concretos e sonhadores, para além do que se vê… quase para citar Los Hermanos.”

Acho que é o medo das palavras ‘poeta’ e ‘poesia’ que não deixa as pessoas chegarem ao outro lado.

Trinta e Oito e Meio, Maria Ribeiro

O livro da Maria é delicioso do início ao fim. São crônicas que falam sobretudo sobre a vida. Adoro o que ela diz: “Não sou a gênia que meu pai previu, nem a moça elegante que minha mãe educou, tampouco a intelectual que meu irmão gostaria. Mas jogo meu futebol e agradeço enternecida as assistências que recebi — assistências que eu preciso deixar de lado só por um tempo, pra educar meus filhos, fazer meus filmes, e aprender a viver. Porque eu quero fazer tudo diferente. Pra depois, talvez sem perceber, acabar fazendo tudo igual.”

Tenho a versão brasileira, toda ilustrada (como podem ver na imagem acima), mas adorei a versão portuguesa – a Maria merece mesmo aparecer na capa 🙂

Jóquei, Matilde Campilho

Esse livro (que é um tesouro) é o primeiro da Matilde. Comprei por recomendação da Maria, em um post no Instagram. Para quem não sabe, ela é portuguesa mas viveu alguns anos no Brasil. Como o próprio livro diz: “Os poemas, em verso e prosa, assemelham-se a climogramas, medem atmosferas e temperaturas. Contam muitas vezes histórias de trintões com a coragem de adolescentes, meninos e meninas em mergulhos desmedidos e destemidos, com deslumbramentos e desapegos, amores mercuriais, ternuras e enigmas.”

Vale muito a pena a leitura – mesmo, mesmo 🙂