O meu Alentejo: minha primeira experiência com turismo rural

Quando eu tinha 14 anos lembro de comprar um livro chamado “O meu Alentejo”, da jornalista brasileira Christina Autran – ela conta, ao longo dos capítulos, como foi o processo de mudança de país e a construção do lar.

Lembro que fiquei encantada com aquele relato, com aquela terra (para mim tão distante na altura), e com aquele povo, que me parecia extremamente hospitaleiro e gente como a gente. Naquele momento, decidi: um dia iria conhecer o Alentejo. E hoje, muitos anos depois, esse desejo finalmente se concretizou, me fazendo iniciar 2017 com o pé direito (e pronta para novas aventuras).

No começo da semana recebi um e-mail da agência Brand Choice para viver uma experiência rural de sonho. O lugar: o Alentejo, claro. Nem precisei pensar duas vezes para aceitar o convite e embarcar, dias depois, para um passeio delicioso e muito especial.

Parti de Lisboa na quinta-feira, por volta das 15 horas, e em pouquíssimo tempo (cerca de 1h30) estava em uma paisagem completamente diferente da capital. Os tons de verde tomaram conta do panorama, os sobreiros começaram a aparecer e o silêncio foi me dando a ideia do que estava por vir.

Fiquei hospedada no Monte do Giestal, um hotel (que mais parece casa de família) localizado no concelho de Santiago do Cacém, freguesia de Abela. Ao total a herdade do Giestal tem uma extensão de 71 hectares totalmente rodeada de sobreiros, onde a mão humana é praticamente inexistente. Para quem nasceu em um país tão grande como o Brasil e viveu em capitais caóticas como São Paulo, esse lugar parece uma espécie de oásis, quase que inacreditável.

Ao total, o hotel dispõe de 10 casas de campo, divididas entre T1 e T2, e que conta com a arquitetura tradicional da região. A cortiça, que é o elemento principal, está presente em cada detalhe (é impressionante a quantidade de coisas que é possível fazer com esse material). Além disso, cada casa tem o nome de uma árvore e do fruto correspondente – eu fiquei na casa da Azeitona 🙂

O local também tem uma casa principal, onde funciona a recepção e onde é servido o café da manhã (ou pequeno almoço), recheado de doces caseiros e geleias feitas ali mesmo, com frutos fresquinhos. É uma perdição, já aviso!

Quem quiser descansar um pouco, há uma sala com sofás confortáveis e estante de livros, além de uma sala de jogos. Na área externa há uma ampla esplanada, para aproveitar o sol e a brisa campestre, e uma deliciosa piscina (já quero voltar no verão!). Outra coisa interessante: apesar de ser um turismo rural, o Monte do Giestal tem um excelente SPA, com uma grande variedade de massagens, ginásio e piscinas aquecidas com hidromassagem.

É um verdadeiro espaço de sonho 🙂

AlenTour: conhecendo o litoral Alentejano

No segundo dia, pela manhã, embarquei em um passeio incrível guiado pelo Silvestre, proprietário da AlenTour – ele faz diversos passeios personalizados (você que escolhe onde quer ir) durante metade ou um dia inteiro. Logo no início ele explicou um pouco sobre o Alentejo e o trajeto que iríamos fazer. Achei muito bacana que ele disponibiliza, além de wifi no jipe, um lanchinho especial. No meu caso foi uma sacolinha com garrafa de água, biscoito de canela, fruta, bloquinho de anotações, etc. Mas ele me mostrou algumas fotos de outros passeios em que leva uma cesta de piquenique linda (ótimo passeio para fazer em casal ou família). Recomendo muito!

Passamos por lugares paradisíacos, como a praia da Galé, Melides, Lagoa de Santo André, e por aí vai (inclusive passamos na zona onde o Louboutin tem casa) 🙂

Depois paramos ali perto para almoçar, demos mais uma volta e ao fim do dia retornamos ao hotel. Foi uma experiência diferente, adorei!

O sobreiro antigo

Outra coisa que gostei muito de conhecer foi o sobreiro do Monte do Giestal, que segundo a proprietária Guida Silva tem cerca de 500 anos. “Não temos como comprovar, mas seguramente ele tem por volta disso. E não é habitual uma árvore durar tanto tempo”, explicou ela.

A história por trás do sobreiro é ainda mais interessante. Parece que ninguém nunca lhe tirou a cortiça por não conseguirem, fora que não há uma única árvore ali perto. “Quando plantaram outros sobreiros, as espécies não sobreviveram, e quando tentaram tirar a cortiça, caiu um raio. Não sei se é verdade ou não, mas de fato o sobreiro tem um buraco”, contou Guida.

Ele é como a estrela do hotel, e recentemente alguns casais vão para lá realizar casamentos. As fotos ficam lindas!

Quem tiver curiosidade em conhecer o local, vou deixar todas as informações abaixo e contatos. Vale muito a pena (nesse frio então, aproveitem a lareira das casas!). E claro, visitem a redondeza – tem as Minas do Lousal, o Museu do Trabalho, Santiago do Cacém e seu castelo, entre outros.

Mais informações:
Monte do Giestal
geral@montedogiestal.com
+351 961 378 777