Conhecendo o Beco – Cabaret Gourmet, do chefe José Avillez

Na semana passada fui conhecer o mais novo espaço do chefe José Avillez, que para quem não sabe é uma das maiores referências da cozinha em Portugal – seu restaurante Belcanto, distinguido com duas estrelas Michelin, é considerado um dos 100 melhores restaurantes do mundo, de acordo com a prestigiada “The World’s 50 Best Restaurants List”. Ao total já são 7 espaços em Lisboa e um no Porto.

A novidade, que está dando o que falar por aqui, é o Beco – Cabaret Gourmet, que abriu no dia 16 de março. O espaço fica situado nos fundos do Bairro do Avillez (que já falei nesta publicação aqui), atrás de uma “passagem secreta”, uma espécie de porta/armário, com charutos, livros, etc.

Fomos para lá em um domingo de noite, com horário marcado para 20h30. Chegamos ao Bairro, cruzamos os dois restaurantes da entrada (a Taberna e o Páteo) e fomos recebidos por um homem de barba.

“Vocês têm certeza que vieram ao lugar certo?” e “Quem vos contou sobre este lugar?” foram algumas das perguntas bem-humoradas que o anfitrião nos fez. Tudo isso para já entrarmos no clima do Beco, que tem o objetivo de cruzar a cozinha com o mundo do espetáculo.

“A ideia é oferecer aos clientes momentos de surpresa e encanto, criando noites memoráveis inspiradas na aura de diversão e elegância dos cabarets dos anos 20 e 50”
José Avillez

O ambiente

Depois de atravessarmos a passagem, fomos levados para um espaço totalmente diferente e cheio de elementos visuais surpreendentes. Tudo tem uma pegada boêmia e sofisticada – em uma ponta da sala há uma imagem gigante de uma pinup, e na outra há um pequeno palco, onde o espetáculo acontece. Todos os empregados são extremamente bem vestidos e as bailarinas andam pela sala de corpetes anos 20, meias de renda e saltos altos. A música é deliciosa e a luz baixa ajuda a deixar o ambiente aconchegante e misterioso.

O menu

Mal chegamos e já fomos servidos de uma taça de champagne Perrier Jouet, enquanto víamos o anfitrião de barba subir ao palco e dar as boas-vindas a todos os presentes (não é permitido fotografar, mas como fui como imprensa, me deram carta branca para isso).

O menu é de inspiração global e composto por 12 momentos distintos, todos eles fazendo parte do espetáculo. O primeiro prato é, na realidade, uma rosa verdadeira. Entre as pétalas, uma surpresa: uma pétala falsa, comestível, feita de maça e marinada em água de rosas e lichias. Fomos orientados a pegar com uma pinça e provar tudo de uma vez só. Confesso que achei estranho, o sabor é mesmo muito fresco e me pareceu que estava a comer, de fato, a flor. A cara das pessoas em outras mesas foi a parte mais engraçada de se ver 🙂

Em seguida vieram as famosas azeitonas explosivas do chefe, dessa vez com um “caroço” comestível feito de cacau. Logo depois uma “pedra” feita de manteiga de cacau com interior à base de foie gras. É muito, muito estranho. De todos, foi provavelmente o que menos gostei.

O que veio a seguir foi uma surpresa deliciosa: um nigiri de salmão feio com uma base levemente adocicada (amei!) e um corneto de sapateira com uma mousse de algas. Foram os meus favoritos.

Depois, outra delícia, uma “pizza” feita com base de alga e uma conjugação de atum, ovas de truta, maionese de kimchi e creme de abacate.

Para finalizar a parte das entradas, recebemos um ceviche de camarão com leite de tigre granizado (uma espécie de sorvete) e flores comestíveis. Super fresh.

Depois, chegou a hora do couvert, com pãezinhos acompanhados de manteiga de chouriço, manteiga de tutano e gema de ovo trufada. O primeiro “prato” chama-se galinha dos ovos de prata e é uma versão de um dos seus pratos mais famosos, que está na lista do Belcanto. O ovo cozido a baixa temperatura vem embrulhado em uma folha de prata comestível e acompanha trufas, queijo e lulas. É delicioso. O segundo prato é um carabineiro com cinzas de alecrim e espuma de lima. Logo em seguida as luzes se apagam, começa a tocar a música “diamonds are a girl’s best friend” e chega na mesa um… diamante comestível, é claro 🙂 O prato é totalmente iluminado e cheio de pontinhos brilhantes, muito lindo. O diamante é uma espécie de sorvete de flor de sabugueiro (ele serve para limpar o paladar antes dos pratos de carne).

E foram dois: leitão servido em uma folha de alface e maionese de kimchi, junto com batatas fritas estaladiças servidas dentro de um saquinho transparente (que parece plástico, mas é comestível); e um pombo curado com lascas de trufa e foie gras.

Ufa! Agora chegou a parte da sobremesa 🙂 E foi surpreendente: iogurte grego, maça, pepino e pó de hortelã (super, super fresh). Eu adorei!

Depois vieram os cafés acompanhados de um batom vermelho comestível, feito de sorvete de beterraba e morango, e um tabuleiro de xadrez com duas peças feitas de chocolate branco e preto.

A experiência é incrível, compartilho com vocês abaixo o vídeo oficial do Beco (vale o play):

Quem tiver interesse nos valores, segue abaixo:

Sexta e Sábado
Turno 1: das 19h30 às 21h45
Turno 2: das 22h00 às 00h00
Preço por pessoa: 130 euros (lugar na mesa); 100 euros (lugar no balcão)

Quinta, Domingo e Segunda
Turno do dia: das 20h30 às 22h45
Preço por pessoa: 120 euros (lugar na mesa); 100 euros (lugar ao balcão)

Mais informações:
Beco – Cabaret Gourmet
Rua Nova da Trindade, 18
+351 210 939 234