Pensamento solto #5 (a saudade que dói)

Já se passaram oito meses. Mais precisamente 240 dias que entrei num ônibus, olhei para trás e sorri pela última vez para o meu pai (sem saber quando ou em que circunstâncias o veria novamente).

Hoje contabilizo três datas especiais perdidas. Uma infinidade de lágrimas e incontáveis conquistas e alegrias.

A questão é que ninguém te prepara para a saudade. E você só a entende, de fato, vivendo na pele. No fundo do peito. Como costumam dizer: “na marra”.

E assim é que se segue. Somos feitos de escolhas – e eu fiz a minha. Alguns chamam de coragem, outros de loucura. Eu chamo de viver. De viver intensamente um sonho, sabendo que a vida é curta. E sabendo que vale a pena ser vivida.

Hoje vivo um misto de sentimentos estranho. Me emociono constantemente ao andar pelas ruas e, ao mesmo tempo, carrego comigo um vazio gigantesco ao lado esquerdo do peito, onde habita a distância e a saudade.

Não é fácil viver longe.

Se fecho os olhos ainda vejo o meu pai através daquela janela. Se fecho os olhos ainda sinto o abraço da minha mãe. A risada de cada um deles.

A saudade dói. Mas ela existe para nos lembrar que, em algum lugar do mundo, há amor. E se há amor, há propósito e há razão. E eles – eles sabem quem são – são a minha razão ❤