Por dentro do Belmond Reid’s Palace (e tudo sobre a minha estadia no icônico hotel)

“For over a century, Reid’s Palace has welcomed guests to its luxurious haven on the cliffs. The terrace is intimate, the view lovely”, The Telegraph UK

A citação é do emblemático jornal inglês, mas em uma breve pesquisa online é possível encontrar centenas de artigos favoráveis ao que hoje já é mais do que um símbolo da Madeira, é uma verdadeira referência da hotelaria internacional: o luxuoso Belmond Reid’s Palace, localizado no Funchal, capital do arquipélago da Madeira.

Às 9 da manhã, do dia 26 de abril, embarquei no aeroporto de Lisboa para uma das experiências mais incríveis que tive desde que me mudei para cá (quiçá da vida inteira). Aterrissei no Funchal, em um dia ensolarado de primavera, e um carro já estava à minha espera para me levar ao paraíso – localizado em um penhasco rochoso outrora conhecido como Salto do Cavalo, e que em 1887 iniciou as obras do edifício que viria a se tornar hoje o Reid’s Palace 🙂

Falando brevemente da sua história, o hotel era na realidade um grande sonho do escocês William Reid, nascido em 1822. Após várias idas a Madeira, William se apaixonou pelo local e resolveu construir um verdadeiro paraíso, longe do frio do inverno escocês. Infelizmente, antes de concluir a obra, William morre e deixa o sonho para os seus filhos, que o inauguraram em 1891 – em plena idade de ouro da Belle Époque.

O hotel ficou ainda mais reconhecido por ter acolhido muitos hóspedes de renome, incluindo membros da realeza britânica e europeia, presidentes, políticos, entre outros. Alguns nomes que constam hoje no Livro de Ouro do hotel incluem a imperatriz Zita da Áustria, o rei Eduardo VIII e a Princesa Stephanie de Mônaco, o ator Roger Moore, e os ilustres George Bernard Shaw e Winston Churchill (que tem uma suíte com o seu nome, que tive o privilégio de visitar).

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Assim que cheguei ao hotel, para uma estadia de 4 dias, fiquei impressionada pela sua suntuosidade. O hotel parece que respira história e assim que adentramos o espaço nos tele transportamos para o passado.

Fiquei em uma das suítes, com decoração clássica e com uma vista para a piscina exterior e o oceano Atlântico. Uma daquelas vistas que dá vontade de passar horas a apreciar. Inclusive, no último dia, para aproveitar mais um pouquinho, tomei o pequeno-almoço no quarto. Foi uma deliciosa despedida 🙂

No primeiro dia, logo que cheguei e organizei as bagagens no quarto, fui experimentar uma massagem relaxante no SPA do hotel, que tem uma vista impressionante para o oceano (a massagem foi tão boa que lembro de adormecer e terem de me acordar!). Tudo isso para relaxarmos ao máximo antes de um jantar divinal no restaurante estrelado do hotel, que leva o nome de William.

Desde 2015 o restaurante tem como chefe consultor Joachim Koerper, que tem o restaurante Eleven em Lisboa, e Luís Pestana como chefe executivo, trabalhando lá por mais de 25 anos. Os menus degustação variam entre 77€ e 168€, mas também há sugestões da carta, como o lavagante com couve flor ou o salmonete com puré de batata.

*quem quiser conferir os pratos e a experiência completa no restaurante, basta entrar no meu Instagram (@danielaschwanke) e ver os destaques em “Madeira”

No segundo dia, em uma manhã muito ensolarada, fomos passear de barco (vi muitos golfinhos!) para conhecer a Fajã dos Padres, que ao longo dos tempos foi casa de veraneio de padres Jesuítas (por isto leva este nome).

O local pertence à família Vilhena Mendonça, que são produtores da preciosa casta Malvasia de vinhos, e para chegar lá, só há duas maneiras: de barco ou teleférico.

Fiquei muito encantada por este pequeno paraíso e recomendo muito a visita. Na volta retornamos de teleférico e voltamos ao hotel de carro (fazendo um passeio pela região próxima e conhecendo um pouquinho mais dessa ilha maravilhosa).

Neste dia jantei no restaurante italiano Villa Cipriani, ao lado do hotel, e foi uma refeição inesquecível. Sem dúvida um restaurante que pretendo voltar (a vista é de cair o queixo, me lembrou muito a costa italiana, sem falar na comida!). É super romântico, por isso recomendo um jantar a dois 🙂

No terceiro dia, logo cedo, antes de nascer o sol, sai do hotel de Jeep em direção ao Pico do Arieiro, a 1818 metros acima do nível do mar. A ideia era ver o nascer do sol lá de cima, mas o tempo infelizmente não ajudou e tivemos que descer um pouco mais, onde o staff do hotel montou literalmente uma mesa de pequeno-almoço no meio de um miradouro, com uma vista impressionante ao nível das nuvens (um verdadeiro “sunrise with the clouds”) 🙂 Neste aspecto o hotel é nota mil, sem palavras!

*lá em cima faz muito frio, por isso as roupas invernais 🙂

De tarde, quando voltamos para o hotel, pontualmente às 5 da tarde, foi a hora de experimentar o tão emblemático chá da tarde. Este ponto vou deixar para um próximo post, já que há muita coisa que quero falar a respeito e muita história que vale a pena ser partilhada (inclusive ganhei o livro “I had tea at Reid’s”, que já li e quero falar a respeito).

Por fim, no dia 29 de abril, logo pela manhã, me despedi deste paraíso e retornei a Lisboa cheia de histórias para contar. Foram quatro dias inesquecíveis que ficarão comigo para sempre. Mais um “pin” no mapa e mais um hotel para guardar na memória.

Um super obrigada para toda a equipe do hotel e para O Apartamento, em especial para a querida Paula, que me levou nesta experiência e me deu a oportunidade de partilhá-la com os meus leitores.

Mais informações:
Belmond Reid’s Palace
Estrada Monumental, 139
+351 291 717 171