Pensamento solto #10 (obrigada, pai)

Eu sempre fui uma criança curiosa. Sempre quis explorar o mundo, conhecer outros lugares e fugir do lugar comum (vale dizer que também fui uma criança muito ansiosa e inquieta, o que nem sempre jogou a meu favor).

Mas vendo o lado bom da coisa, esta inquietude me fez voar. Ou melhor ainda, esta inquietude me fez ter a coragem necessária para iniciar o meu voo.

Hoje, dia 19 de abril, é um dia estranho para mim. Estamos há 2 dias da Páscoa (uma data que sempre passei em família) e, para completar, é aniversário do meu pai. O homem que me fez ver o mundo com outros olhos. O homem que basicamente me abriu as portas e disse: “Vai. Vai porque tem muita coisa para ser vista. Vai viver porque vale a pena. E só vivemos uma vez”.

Hoje ele completa 55 anos e já é o terceiro aniversário que passamos longe um do outro. Uma data que hoje para mim tem um sabor agridoce. Acompanho tudo de longe, com o coração apertado, mas muito (mesmo muito) grata pelo exemplo de ser humano que ele é para mim. O homem que, como disse lá em cima, me despertou a curiosidade no mundo (e que mundo…).

Hoje escrevo essas palavras como uma forma de agradecimento (uma forma de estar presente). Queria dizer que ele me fez sonhar. E acho que este é o melhor presente que um pai pode dar a um filho. A arte da imaginação, da curiosidade, da coragem, do amor. E mais importante, do exemplo.

Hoje sinto um aperto no peito mas eu sei que ele entende. Sei que ele sabe que o mundo é bom demais para ser vivido fechado. E ambos sabemos que os reencontros nestas circunstâncias se tornam ainda mais especiais. O amor parece que cresce. A admiração duplica. A saudade transborda.

Obrigada pai.
E obrigada a todas as pessoas que se abrem para o mundo 🙂